O que é aceitação e como praticar?
- Márcio Schitini

- 17 de set. de 2021
- 3 min de leitura
Atualizado: 7 de out. de 2021

Estamos constantemente em busca da felicidade! O problema é que, para se chegar à felicidade, é preciso transpor barreiras. Aí reside todo problema: queremos ir para o céu, mas não queremos morrer. Queremos ser felizes sem precisar de esforço para evoluir. Queremos o lado Hollywoodiano da vida. Queremos ser o mocinho, mas nos esquecemos de que, na verdade, somos vilões.
Não há santos neste mundo. Nós não viemos aqui a passeio. Viemos aqui para aprender... aprender a amar. É por isso que não conseguimos ser completamente felizes. A realidade nos mostra que este mundo não é o mundo da felicidade plena, mas talvez possamos buscar uma felicidade mesmo que temporária. Então, por que ainda queremos encontrar atalhos para alcançar nossa evolução?
É na nossa Mente que se encontram as memórias com as quais precisamos lidar nesta jornada. E contra isso não se pode lutar, podemos apenas aceitar. Aceitar que elas existem; que fomos nós seus criadores; que, por isso, somos 100% responsáveis por elas; que tudo na nossa vida é resultado de negligenciarmos essas memórias; que somente nós podermos mudar o que criamos.
Mas se você não está disposto a aceitar isso, sem problemas. Vai ter que esperar um salvador chegar aqui ou, quem sabe, naves extraterrestres aportarem em Washington e acabarem com as mazelas da Terra. Ou pode fazer um desses cursos que prometem a reprogramação imediata de suas memórias e lhe trazem prosperidade e prazer eternos, ou ouvir músicas ou sons que, deitado no aconchego de sua cama, aliviarão seu sofrimento sem nenhuma dificuldade — o sofrimento que você mesmo criou.
Pois é! Somos orgulhosos, vaidosos, invejosos, ciumentos, irados, violentos, medrosos... e queremos que algo ou alguém resolva esses problemas por nós. Está na hora de olhar para você com honestidade e amor. Já passou da hora, na verdade! Fingimos que queremos mudar, mas vamos deixando passar o tempo, e nossa Mente vai tomando conta de nós como se fôssemos servos dela, e não o oposto.
Sugiro no meu livro “Não seja bonzinho... e ganhará a sobremesa” (E-book Amazon), com lançamento em setembro próximo, uma prática de autoconhecimento simples, mas eficaz: pedir a alguém próximo a você que escreva seus defeitos e qualidades. Embora pareça uma prática inofensiva, requer muita humildade e uma postura aberta para aceitar que não somos perfeitos. Vai doer no começo, mas “aceita que dói menos”, como diz a sabedoria popular.
Precisamos assumir que “a vulnerabilidade não é uma medida de fraqueza, mas a melhor definição de coragem”, como afirma Brené Brown em seu livro “A coragem de ser imperfeito” (Sextante, 2012). Posar de bonzinho e continuar remoendo sentimentos limitantes não leva ninguém para frente. Apenas faz você viver mais do mesmo, fingindo que está tudo bem! Chega de fazer curativos em feridas que nunca cicatrizam. É hora de ir fundo nas causas da dor.
O mundo em pandemia não está poupando ninguém. Nossos sentimentos mais ocultos nos recônditos de nosso Ego estão gritando para serem notados. Pare de achar que ser o bom menino vai resolver seus problemas. Não, não vai! Não adianta olhar para fora a fim de encontrar a solução para os seus males. O autoconhecimento ainda é o melhor caminho para o nosso crescimento em todos os âmbitos de nossas vidas.
A aceitação é o primeiro passo para uma mudança efetiva. Sem ela, sua busca será como o trabalho de Sísifo, ser mitológico que foi condenado a empurrar uma pedra até o cume de uma montanha, mas o peso da rocha e o cansaço não evitavam que a rocha retornasse ao sopé do monte. Assim é! Ficamos cansados de tanto nos esforçar para impedir que nossos pensamentos negativos venham à tona... esforço inútil: no outro dia, lá estão eles novamente!
Há muitas maneiras de começar a realizar uma faxina interna. Uma delas é meditar. Meditar abre espaço para que intuições sobre seu subconsciente possam emergir da sua Mente, e isso o ajudará a pôr ordem no caos. Mas você pode orar, se preferir, respirar, mudar o foco dos seus pensamentos. Ou ter a humildade de pedir ajuda a alguém se nada disso for suficiente. Procurar um bom terapeuta pode abrir as portas para um processo de autoconhecimento e, com muita persistência, de restabelecimento de sua cura mental.
Podemos semear o que quisermos, mas a colheita sempre será obrigatória! Então, é hora de colher com amor e resignação aquilo que você mesmo semeou.

Sobre o autor:
Professor, Neuroeducador, Master Practitioner em PNL e Coaching de vida –é fundador, junto de sua esposa, Sílvia Reze,
do Instituto Recomece.





Excelente ponto de vista.