Não existe fracasso, apenas feedback!
- Márcio Schitini

- 24 de nov. de 2021
- 4 min de leitura

A Programação Neurolinguística (PNL) possui princípios nos quais ela se fundamenta chamados de PRESSUPOSTOS. Essas ideias sustentam o pressuposto básico de que todo ser humano muda no decorrer de sua vida e que, por trás dessas mudanças, há um mapa mental que pode ser compreendido e reprogramado de forma estratégica para alcançar determinados objetivos. “Não existe fracasso, apenas feedback” é um desses pressupostos.
Nós, seres humanos, temos uma tendência inata de nos sentirmos mal quando não atingimos um objetivo. E de onde vem essa tendência? Precisamos nos lembrar de que, nos primórdios da civilização, errar poderia ser potencialmente fatal. Poderíamos ser mortos por animais selvagens, por tribos inimigas e até por fogo amigo, se isso significasse a sobrevivência para seu próximo. Não era fácil conseguir comida e abrigo, e nossa noção de fraternidade quase que inexistia — diga-se de passagem.
Portanto, era extremamente útil para nós guardamos essas experiências em nossas memórias para evitar repeti-las no futuro. Deveríamos saber em quem confiar para não sermos o alvo da lança de alguém ou das garras e dentes dos animais ferozes. Essa estratégia de nossa Mente, porém, deveria começar a mudar a partir do momento em que fomos nos reunindo em grupos sociais com cuja convivência nos exigia mais proximidade e ia nos dando mais responsabilidades.
Errar já não era um problema de sobrevivência, mas nosso sistema primitivo de defesa não mudara para acompanhar essa evolução. O medo ainda nos assombra da mesma forma como assombrava nossos antepassados. Registramos em nossa memória o peso mortal de nossos embates do começo de nossa evolução. Embora nossos desafios sejam bem menos letais, ainda reagimos a eles como se tivéssemos de enfrentar um tigre dente de sabre.
Atualmente, em casos mais extremos, ainda assistimos a um “show de horrores”, em que pessoas cometem atrocidades contra os seus e defendem a morte para satisfazer seu próprio EGO. Em nome de uma suposta busca pela liberdade, esquecem-se de que com ela vem a responsabilidade. Como na Era Medieval, e por puro instinto, agem como crianças birrentas, permitindo que seus desejos mais primitivos sobrepujem o respeito que sustenta os bons relacionamentos.
Seja nos casos acima ou quando vamos conversar com o nosso chefe, por exemplo, nosso corpo reage da mesma forma. Entramos no modo “lutar ou fugir”. Há um movimento intenso de hormônios no nosso corpo. Nosso coração fica acelerado, nossa respiração mais ativa, nossas pupilas dilatam e todos os nossos sentidos ficam mais aguçados. O sangue flui para os músculos a fim de que reajam mais forte e rapidamente. Em um momento estaremos prontos para a ação.
Imagine, então, que, sempre que você passa por uma situação irreal de medo, ou seja, situações comuns do cotidiano, como falar em público, seu corpo se prepara inutilmente para lutar ou fugir. É essa a razão do estresse. Vivemos ansiosos o tempo todo, produzindo em grande quantidade substâncias que deveriam ser usadas somente em caso de urgência. Vivemos com o coração acelerado e respirando apenas para sobreviver. Permitimos que nossa faceta mais instintiva fale por nós.
Embora exista toda uma campanha para desmistificar o erro como um “fracasso”, nos escaninhos da nossa Mente ainda queremos ser perfeitos. Desde a nossa infância somos treinados para essa tarefa inglória. Nossa educação é pautada nas temidas “provas”, cujo nome já traz uma aura de acerto ou erro. Se você não atingiu a nota mínima, vem a recuperação, marca dos que não se enquadram numa sociedade restritiva e castradora. Não somos diferentes do antigo mundo das castas, em que a mobilidade social era praticamente nula.
Para nos desapegarmos dessa noção de erro, é preciso chegarmos ao nível de aprendermos a olhar para nós mesmos com amor. O primeiro passo para isso é compreender os movimentos da nossa Mente, aprender a administrá-la a partir da primeira e importante lição: NÓS NÃO SOMOS NOSSA MENTE! Seja um observador de seus comportamentos limitantes. Se necessário, anote em que momentos você costuma julgar-se, sentir-se mal diante de algumas pessoas ou situações.
E assim como se tem buscado fazer nas grandes corporações, cuja intenção é conciliar forças para melhorar o ambiente de trabalho, precisamos nos habituar a fazer um feedback com a nossa Mente. De modo sincero, leal e sem julgamentos, escreva seus pontos fortes e aqueles em que precisa melhorar. Faça uma lista de suas qualidades e sinta-se orgulhoso por isso. Em seguida, liste seus defeitos sem melindres. Se for difícil para você, peça que um amigo de confiança o faça por você. Isso pode lhe dar outras perspectivas acerca de si mesmo.
Como num feedback corporativo, o objetivo não é apontar culpados, mas buscar soluções. Nunca pergunte a si mesmo: “Por que isso aconteceu?”. Isso o levará ao passado e, inevitavelmente, a buscar um culpado, o que pode piorar seu estado emocional. Pergunte: “O que posso fazer para melhorar esse comportamento?”. Isso o projeta para o futuro. Então, trabalhe nessa mudança. Anote tudo e observe-se durante o dia. Você pode meditar para buscar respostas ou, se sentir que está muito difícil, procurar um profissional para ajudá-lo.
O autoconhecimento ainda é o melhor caminho para aprender a transformar o fracasso em feedback. Aprenda a olhar as pessoas e as situações que o incomodam como instrumentos para a sua mudança. Culpar o outro pela sua limitação é pôr foco no problema, e não na solução. Então, mãos à obra!

Sobre o autor:
Professor, Neuroeducador, Master Practitioner em PNL e Coaching de vida –é fundador, junto de sua esposa, Sílvia Reze,
do Instituto Recomece.





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