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Como definir suas metas sem enlouquecer?


mulher se abraçando, amor próprio

Quando acordamos pela manhã, temos uma noção de como acontecerão algumas coisas em nosso dia. Sabemos que iremos trabalhar (ou não), que estaremos em determinados lugares, que almoçaremos, que encontraremos determinadas pessoas, que teremos de ir a uma reunião que salvará o mês. Mas isso tudo não passa de uma tentativa de planejar nosso dia, não é mesmo?


E se o carro quebrar, se você não tiver tempo de almoçar, se as pessoas com quem costuma se encontrar tiverem outro destino ou aquela reunião for desmarcada, e você não conseguir finalizar aquela venda? Todos os seus objetivos irão por água abaixo? O que fará do seu dia? Ficará se lamentando porque nada saiu como você queria? Como é possível lidar com esses revezes de forma a transformá-los em algo positivo para você?


No meu artigo anterior “É o que tem pra hoje”, já havia mencionado que nós, seres humanos, temos uma grande necessidade de controlar tudo e quanto isso acaba sendo improdutivo e inútil para o nosso dia. Quando lanço a questão “Qual o seu objetivo hoje?”, vemo-nos num labirinto de espelhos, naquele brinquedo clássico de parque de diversões. Olhamos para a entrada e seguimos certos de que o caminho nos levará à saída, mas, a cada movimento, colidimos com nosso próprio reflexo, vaidoso e presunçoso.


Às vezes teremos de recorrer a alguém com quem não simpatizamos para retomarmos o caminho e sairemos com hematomas no nosso orgulho. Vez ou outra, ficaremos em posição fetal com vontade de desistir e, em outros momentos, ergueremos nossas mãos aos céus para buscar uma escapatória desse emaranhado que nos põe frente a frente com nós mesmos o tempo todo.


Parece que esse roteiro faz parte da nossa vida, embora teimemos em não aceitar isso como um fato, não é verdade? E quando nos lembramos disso, paramos, respiramos profundamente e nos acalmamos. Estofamos o peito e olhamos para frente com o orgulho de quem conseguiu entrar em harmonia com a situação. É nessa hora que desistimos de querer controlar tudo, tiramos nosso foco do problema, soltamos e seguimos em frente para o próximo desafio.


Precisamos entender que querer programar detalhadamente nosso cotidiano pode nos levar a uma frustração imensa e, por isso, faz-se necessário dar um passo de cada vez. A lição milenar de permanecer no AQUI E AGORA nunca deveria ser esquecida. Ekhart Tolle, autor do best seller “O poder do agora” (Ed. Sextante, 2000), sugere que, diante de uma situação, pode-se abandoná-la, mudá-la ou, simplesmente, aceitá-la, o que certamente demanda uma dose altíssima de humildade; em compensação, isso pode trazer-nos uma paz que não tem preço.


O desafio reside em lidar com os caprichos de nossa Mente. Quando estiver diante de um obstáculo, preste atenção a essa voz que surge em sua cabeça. Ela analisa, classifica e julga tudo o que acontece de um ponto de vista egoísta e infantil. É como uma criança com os seus “quero-queros”, buscando obter algo a qualquer preço. Sua Mente quer sempre ganhar e, para isso, usará os recursos que, muitas vezes, você desaprovaria em sã consciência.


E por ser uma criança, devemos simplesmente tratá-la como tal. Quando uma criança começa a fazer birra para conseguir algo, não devemos ignorá-la, mas desviar o foco obstinado dela de seu alvo. Os pais mais pacientes usam essa estratégia e, em alguns segundos, a criança estará ligada a outro objeto tão rapidamente quanto esqueceu o anterior. É óbvio que haverá momentos mais fáceis e outros bastante desafiadores. Mas é um exercício de paciência.


Assim é com nossa Mente. Quando se deparar com um obstáculo, procure desviar seu pensamento, concentrar-se em outra coisa. A exemplo de uma criança, quanto mais você tentar confrontar seu Ego, mais ele fará birra e tentará ganhar o que deseja pelo choro. Sempre que se sentir mal, é sua Mente propondo-lhe algo a fim de ganhar e manter o seu orgulho intacto. Desvie o foco de seu pensamento. Isso funcionará, já que não se pode pensar em duas coisas ao mesmo tempo.


A título de exemplificação, imagine que você comece a discutir com alguém sobre um assunto sem importância. Sua Mente jamais irá querer perder aquela discussão. Mas você, consciente disso, decide pôr um fim ao embate, sugerindo ao seu opositor que cada um deve ter a sua opinião. Isso cria um “bug” na sua Mente, já que ela esperava prosseguir naquela guerra de vaidades. Se ela persistir, propondo-lhe aquela sensação de orgulho ferido, mude de assunto e prossiga o seu dia. Ela desistirá.


Então, a pergunta mais importante neste momento seria: “Se não posso controlar minha vida, qual a minha meta quando acordo todos os dias?”. Diante dos fatos, não há argumentos. Levando em consideração que não podemos estar no comando das situações, nosso grande objetivo é harmonizar-se com o que a vida nos propõe. É preciso entregar-se à vida de corpo e alma, sem julgamentos a si ou aos outros. O grande objetivo de estar neste planeta, portanto, é buscar SENTIR-SE BEM na maioria do tempo, não importa o que a vida nos apresente como desafio.




Sobre o autor: 
Professor, Neuroeducador, Master Practitioner em PNL e Coaching de vida –é fundador, junto de sua esposa, Sílvia Reze, 
do Instituto Recomece. 
 

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